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Brasil Agridoce


Começar a falar do Brasil de forma simples não é fácil. Um país onde seu povo conseguiu cativar um mundo inteiro com a sua cultura cheia de cores, carnavais e majestosa natureza é sem dúvida um atrativo para os milhares de turistas que chegam aos aeroportos diariamente. Mas que tão real é esse paraíso que sai nas revistas de turismo? É aqui que narro minha experiência no país tropical.

Depois de 5 horas de viagem com 4 de atraso deixo para atrás o frio de 7 graus abaixo zero de Santiago do Chile. Ao descer do avião o cheiro de pão de queijo me da as boas vindas em um dos aeroportos mais importantes do país: Guarulhos. Se tivesse que julgar Brasil pelas primeiras horas, não voltaria jamais. Sem internet wireless gratuita, filas para estrangeiros com uma espera de mais de 50 minutos, atraso no vôo doméstico de 2 horas e a pouca orientação do pessoal do aeroporto que não falava mais que português, simplesmente o anfitrião da próxima Copa do Mundo e Jogos Olímpicos está totalmente perdido.

Sei que Brasil é mais do que isso. É uma aquarela que se compõe por cada um dos quase 200 milhões de habitantes que vivem e expressam sua cultura além das suas fronteiras. Seja por sua música ou carnaval que, em conjunto com sua diversidade cultural e a quota exata de raças como a negra, religiões tão diferentes como a espírita e o candonblé, paisagens tão variadas como o conhecido Pão de Açúcar e personagens tão emblemáticos como Pelé ou a Garota de Ipanema, bordaram um Brasil difícil de imitar.

Mas não só de ingredientes doces se compõe este território. Tive a sorte de não ser mais um turista alienado pelo que mostram as revistas de turismo senão que também fui testemunha de um Brasil real: insegurança, desigualdade e narcotráfico. Antes pensava que todos esses elementos só eram uma situação ressaltada pelos meios de comunicação sensacionalistas e uma sociedade traumatizada. Ainda me lembro a sensação de dois meninos de rua correndo atrás de mim, em pleno dia, no centro de Belo Horizonte. Não podia crer que isso tivesse acontecendo comigo. Anteriormente tinha ficado chocado ao ver moradores de rua jogados no chão, entregues a sua própria sorte, do lado de fora de um dos centros comerciais mais exclusivos do Rio, enquanto seus compatriotas só se limitavam a passar com total indiferença portanto sacolas de renomadas marcas, como se nada tivesse acontecendo. E por último como um grupo de crianças de não mais de 5 anos fumavam drogas em volta da rodoviária de Belo Horizonte. Claramente isso não estava contemplado nas revistas de turismo. Não é que o Chile seja a terra prometida da América Latina, depois de tudo, é uma nação que sofre dos mesmos males mas em menor escala. A diferença radica em que o Brasil esconde esta realidade atrás de ser “abençoado por Deus e bonito por natureza”.

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